segunda-feira, 29 de junho de 2009
Evangelizar é fazer Jesus acontecer
terça-feira, 16 de junho de 2009
A ação do Espírito Santo
sexta-feira, 12 de junho de 2009
És precioso aos meus olhos

No capítulo 10 de São João, encontramos uma afirmação muito consoladora e, me parece, pouco explorada. “Vim trazer a vida em abundância” (Jo 10, 10). Entretanto, muitos não conseguem descobrir o segredo desta vida grandiosa e bela, que Jesus veio trazer. Daí a razão porque muitos não vivem e sim, vegetam. Arrastam-se pela vida, cheios de ódio, amargura e autopunição.
Transformam o dom precioso da vida num verdadeiro inferno. Porque não crêem no infinito amor de Deus, não se amam, não se perdoam e, portanto, atraem para si todo o tipo de enfermidade. Vivem na maior confusão, desordem. Agridem-se e agridem, sem piedade, quem atravessar no seu caminho. Esquece-se que são obras-primas da mão do Criador.
Encontramos no livro do profeta Isaías muitas afirmações referentes ao amor infinito de Deus para com o homem pecador, dando-lhe tranqüilidade e paz. Vejamos esta: “És precioso aos meus olhos” (Is 43, 4). Se formos preciosos aos olhos de Deus, deveríamos ser preciosos também aos nossos olhos.
E assim como o Senhor nos olha com compaixão, deveríamos ser compassivos para conosco e assim, não perderíamos a paz e iríamos desvendando o segredo da vida em abundância, que Jesus nos veio trazer. O segundo mandamento da lei de Deus manda que amemos o nosso próximo como a nós mesmos, logo há também um mandamento, que manda que nos amemos a nós mesmos. Se nos amássemos a nós mesmos como Deus nos manda, creio que tudo seria melhor para nós e para aqueles que nos cercam.
(...) Quando nos amamos como pessoas, tudo funciona melhor, nossos relacionamentos tornam-se mais harmoniosos, equilibrados e satisfatórios. Descobrimos, portanto, a alegria de viver. Com humildade aprendemos a ver as coisas, nossos semelhantes e a nós mesmos pelo lado melhor.
Descobrimos que os nossos irmãos são seres imperfeitos como nós, mas o lado bom supera de maneira grandiosa as imperfeições e misérias. O milagre começa, então, a acontecer: temos condições da amar o Senhor Deus e ao nosso próximo, porque aprendemos a nos amar como filhos queridos de Deus.
Um dos segredos divinos revelados à humanidade é que realizemos o plano de Deus Pai: Que vivamos felizes, enquanto vivermos e onde vivermos. Que sejamos felizes! Sabemos, entretanto, que a felicidade neste mundo é relativa; só no céu encontramos a felicidade definitiva, onde não haverá dor, nem sofrimento algum e contemplaremos a Deus face a face. Enquanto caminhamos por este vale de lágrimas, precisamos aprender a vida em abundância, que o nosso divino Redentor nos veio trazer. Só desfrutamos plenamente a vida, quando cremos no amor infinito de Deus e vivemos os seus mandamentos.
Só amaremos verdadeiramente a Deus e ao nosso próximo, quando nos amarmos a nós mesmos como Deus nos ama. É preciso, é necessário que nos amemos a nós mesmos. Não tenhamos medo de pedir ao Senhor que realize esse milagre em nossas vidas. Somos feridos, machucados de muitas maneiras e precisamos ser curados. Lembremo-nos que o Senhor no livro de Ezequiel, nos promete um milagre:
“Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo: tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Dentro de vós meterei meu espírito, fazendo que obedeçais às minhas leis e sigais e observeis meus preceitos” (Ez 36, 26-27). O Senhor nos faz categoricamente uma promessa, devemos crer e pedir, que venha realizar esse milagre em nós. Devemos repetir com toda a confiança, todos os dias, e até muitas vezes durante o dia, para que este milagre tão necessário aconteça.
Padre Chico
O amor torna-nos parecidos com Deus

“Quanto a nós, amamos, porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19). Com efeito, como O amaríamos se Ele não nos tivesse amado por primeiro? Amando-O é que nós nos fizemos seus amigos. Mas foi a inimigos que Ele amou, para nos tornar Seus amigos. Ele nos amou primeiro e deu-nos a graça de O amarmos.
Ainda não o amávamos. Amando-O, tornamo-nos belos.O que pode fazer um homem feio e de rosto disforme, quando ama uma jovem formosa? Ou que pode fazer uma mulher feia, desgraciosa e sombria, quando ama um homem bonito? Acaso, amando-o, pode tornar-se bela? E ele, amando-a, pode tornar-se belo? Ele ama uma jovem formosa, e ao olhar-se no espelho, envergonha-se por elevar os olhos àquela beldade, à qual tanto ama. O que pode fazer para se tornar belo? Esperar que lhe chegasse a beleza? Se esperar muito, pode é chegar à velhice e a sua fealdade será maior ainda. Não há o que possa fazer. E não há como lhe dar conselho, senão o de se conter e não ousar amar assim alguém tão diferente de si próprio. Mas se ele insistir em amar e querer casar-se, que ame na sua esposa a castidade e não a beleza do rosto.Ora, quanto à nossa alma, meus irmãos, ela era feia devido ao pecado.
Amando a Deus torna-se bela. Que amor é esse que torna bela a alma que ama? Quanto a Deus Ele é sempre belo, nunca perde a Sua Beleza, nunca se encontra sujeito a mudanças. Ele amou-nos primeiro, Aquele que é sempre belo. E o que éramos nós, quando Ele nos amou, senão feios e disformes? Contudo Ele amou-nos, não para nos deixar na fealdade, mas para nos transformar. Da deformidade fez-nos passar à beleza. Assim, como nos tornarmos belos? Amando Aquele que é sempre belo. Quanto crescer em ti o amor, tanto crescerá a beleza, porque a caridade é a beleza da alma! “Quanto a nós, amemos porque Ele nos amou primeiro”. Escuta o Apóstolo Paulo: “Deus demonstra o Seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando éramos ainda pecadores” (Rm 5,8), o Justo pelos injustos, o Belo pelos feios.
Como sabemos que Jesus é belo? “És o mais belo dos filhos dos homens, tua graça está derramada em teus lábios” (Sl 44,3). De onde vem essa beleza? Escuta de novo de onde lhe vem a beleza: “És o mais belo de entre os filhos dos homens” porque “no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1,1). Ao assumir tua carne, Ele assumiu também, por assim dizer, tua fealdade, isto é, tua mortalidade. Isto para se acomodar a ti, harmonizar-se contigo e exercitar-te a amar a beleza que Ele guarda em seu interior. Onde lemos que Jesus se fez feio e disforme, Ele que é belo, o mais belo dos filhos dos homens?Interroga o profeta Isaías: “Vimo-lo, não tem beleza, nem formosura” (Is 53,2). Eis aí duas flautas que parecem soar discordes.
Contudo, um só Espírito as anima. O salmista diz: “És o mais belo de entre os filhos dos homens” e Isaías: “Vimo-lo e não tinha nem brilho nem beleza”. É um só Espírito a soprar nas duas flautas, portanto não podem estar dissonantes. Não feches os ouvidos, aplica a inteligência. Interroguemos o Apóstolo Paulo, que ele nos explique a consonância das duas flautas. Que ele nos faça entender o som: “És o mais belo entre os filhos dos homens”: “Ele que tinha a condição divina e não considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente” (Fl 2,6). Eis em que Jesus possui “a mais bela forma entre os filhos dos homens”. Que ele nos faça entender agora o outro som: “Nós o vimos e não tinha nem beleza nem esplendor”. “Ele esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo, tomando a condição humana. E achado em figura de homem…” (Fl 2,7).“Ele não tinha nem beleza nem esplendor” para te comunicar a beleza e o brilho. Que beleza? A direção da caridade! Para que amando tu corras, e correndo, ames. Já tens essa beleza; mas não olhes a ti mesmo com complacência, para não perderes o que recebeste. Volta a olhar para Ele somente, a quem deves a tua beleza. Sê belo no teu interior para que Deus te ame. Dirige a Ele todo o teu esforço. Corre em direção a Ele, procura os seus abraços, receia afastar-te d’ Ele, para estar em ti esse temor casto que permanece pelos séculos dos séculos.“Quanto a nós, amemos, porque Ele nos amou primeiro”.
Santo Agostinho
Comentário da Primeira Epístola de S. João
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Corpus Christi
- (Tapete do Colégio Eucarístico, Campos dos Goytacazes - RJ)
Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo) é uma festa móvel da Igreja Católica que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia.
É realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É uma festa de 'preceito', isto é, para os católicos é de comparecimento obrigatório participar da Missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.
A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito Canônico (cân. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, "para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo." É recomendado que nestas datas, a não ser por causa grave e urgente, não se ausente da diocese o Bispo (cân. 395).
- História
A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao Século XIII. A Igreja Católica sentiu necessidade de realçar a presença real do "Cristo todo" no pão consagrado. A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.
O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico. Conta a história que um sacerdote chamado Pedro de Praga, de costumes irrepreensíveis, vivia angustiado por dúvidas sobre a presença de Cristo na Eucaristia. Decidiu então ir em peregrinação ao túmulo dos apóstolos Pedro e Paulo em Roma, para pedir o Dom da fé. Ao passar por Bolsena (Itália), enquanto celebrava a Santa Missa, foi novamente acometido da dúvida. Na hora da Consagração veio-lhe a resposta em forma de milagre: a Hóstia branca transformou-se em carne viva, respingando sangue, manchando o corporal, os sangüíneos e as toalhas do altar sem no entanto manchar as mãos do sacerdote, pois, a parte da Hóstia que estava entre seus dedos, conservou as características de pão ázimo.
Por solicitação do Papa Urbano IV, que na época governava a igreja, os objetos milagrosos foram para Orviedo em grande procissão, sendo recebidos solenemente por sua santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico. A 11 de agosto de 1264, o Papa lançou de Orviedo para o mundo católico através da bula Transiturus do Mundo o preceito de uma festa com extraordinária solenidade em honra do Corpo do Senhor.
A festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264. O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma é encontrada desde 1350.
A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: ‘Este é o meu corpo...isto é o meu sangue... fazei isto em memória de mim’. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.
- A Festa no Brasil
Em muitas cidades portuguesas e brasileiras é costume ornamentar as ruas por onde passa a procissão com tapetes de colorido vivo e desenhos de inspiração religiosa. Esta festividade de longa data se constitui uma tradição no Brasil, principalmente nas cidades históricas se revestem de práticas antigas e tradicionais são embelezadas com decorações de acordo com costumes locais.
Em Pirenópolis, Goiás, é uma tradição os tapetes de serragem colorida e flores do cerrado, cobrindo as ruas por onde passa-se a procissão de Corpus Christi, também efeita-se 5 altares para a adoração do Santíssimo Sacramento, e execussão do cântico latino Tamtum Ergo Sacramentum, esta procissão é acompanhada pela Irmandade do Santíssimo Sacramento e pela Orquestra e Coral Nossa Senhora do Rosário. É neste dia que o Imperador do Divino recebe a coroa, para a realização da Festa do Divino de Pirenópolis, do ano seguinte.
Em Castelo, no estado do Espírito Santo, as ruas são decoradas com enormes tapetes coloridos formados por flores, serragem colorida e grãos. Em São Paulo, o município de Matão é famoso por seus tapetes coloridos feitos de vidro moído, serragem e flores que formam uma cruz no centro da cidade.
A cidade de Mariana - MG comemora a festa de Corpus Christi enfeitando as ruas com tapetes de serragem e pinturas. Jaguáriúna - SP, Santo André -SP, São Joaquim da Barra - SP e Jacobina - BA também seguem o mesmo estilo, as ruas ao redor da matriz são enfeitadas com serragem, raspa de couro, areias coloridas, tudo o que a criatividade proporciona para este dia santo.
Em Caieiras - SP a Juventude da Cidade promove com sua criatividade tapetes que se estendem no trajeto da procissão deste solene dia, desde a Igreja Matriz de Santo Antonio até a igreja de São Francisco de Assis, este trabalho dura doze horas e é coroado com a procissão luminosa em torno ao Santíssimo Sacramento.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
O amor de Deus é gratuito e incondicional

A grande dificuldade da maioria das pessoas é aceitar que Deus é amor (1 Jo 4,8), pois dizem: Como crer no amor de Deus por mim, e ao mesmo tempo viver num mundo tão cheio de problemas? A resposta a esta interrogação é a razão de ser da Bíblia. A Sagrada Escritura é a história do amor de Deus pelos homens. Já no primeiro livro, é revelado que a razão de toda a criação é a Sua bondade: Deus viu que a luz era boa (Gn 1,4). E dentro desta criação, somente o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,26). Tudo foi criado por Deus para a felicidade do homem.
Infelizmente, muitas pessoas não são capazes de viver o amor de Deus. São aqueles que passaram por experiências tristes na sua vida. Muitos não foram desejados desde o momento da sua gestação; outros, não receberam amor dos pais ou nem chegaram a conhecê-los. Ao lado disso, somam-se os traumas vindos da situação financeira, ou dificuldades de relacionamento, a rejeição por causa da raça... E tantos outros problemas, que acabam gerando a insatisfação e amargura diante da vida. Tudo isso, torna difícil amar a Deus, pois perguntamos:
Por que nasci nesta família? Porquê tanto sofrimento? Por que nada dá certo na minha vida?
Esta não é a vida que Deus deseja. Ele criou tudo pensando em você. Então, o que fazer? É simples: aceite o amor de Deus, você é alguém especial para Ele! Para amar a Deus é preciso primeiro deixar-se amar por Ele. Amamos a Deus, porque Deus nos amou primeiro (1Jo 4,19).
E a dificuldade em deixar-se amar por Deus está na visão errada sobre o amor e sobre Deus. Normalmente, as pessoas amam quem as ama. E no relacionamento com Deus, imaginam a mesma coisa, isto é, acreditam que Deus ama a quem O ama. Por outras palavras, é a idéia de que Deus recompensa os bons e castiga os maus.
O amor de Deus por você não é pelo que você fez ou deixou de fazer. O amor de Deus é gratuito e incondicional. No livro do profeta Oseias (Os 11,1-4), existe uma passagem sobre esta forma de Deus amar. Deus sempre havia dado tudo ao povo de Israel, mas este havia pago com ingratidão os cuidados do Senhor. Todavia, não vemos Deus arrependendo-Se do Seu amor.
Deus ama-o assim e é este amor que tem o poder de mudar a sua vida. O Senhor diz-lhe: “Amo-te com eterno amor, por isso, te estendi o Meu favor” (Jer 31,3). Por isso, aceite o amor de Deus, pois “Ele anda em transportes de alegria por causa de ti, e renova-te pelo Seu amor. Ele exulta de alegria a teu respeito” (Sof 3,17).
Este amor de Deus é real, pois Ele enviou o Filho d’Ele por causa de você. “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu o Seu Filho único, para que todo o que n’Ele crer não pereça e tenha a vida eterna” (Jo 3,16).
A única coisa que você tem a fazer é parar e abrir as portas do seu coração a este amor. Se você está disposto a fazer isto, quero convidá-lo a fazer uma oração: Pai, eu Te abro as portas do meu coração, vem com o Teu amor sarar-me de toda a minha insatisfação diante da vida. Ensina-me a viver segundo este amor. É o que Te peço em nome de Jesus, na unidade do Espírito Santo. Amém!
Pe. Alberto Luiz Gambarini
in: A Fonte da Vida: O Novo Nascimento, Ed. Pneuma
O amor do Pai

Deus revelou-Se no Antigo Testamento como o Ser por excelência: “Eu sou Aquele que sou” (Ex 3,14); e no Novo Testamento revelou a natureza profunda e intrínseca do Seu ser: “Deus é amor” (1Jo 4,16).
Deus é amor na sua vida íntima e, porque é amor, é também Trindade: é Pai, porque gera o Filho e Lhe confere toda a Sua natureza e vida divina; é Filho porque se dá totalmente ao Pai; é Espírito Santo, porque procede do amor e do dom recíproco entre o Pai e o Filho. Deus é também amor fora de Si, nas Suas obras: é amor na criação de todos os seres que livremente chama à vida, e, sobretudo, na criação do homem que fez à Sua imagem e semelhança (Gn 1,26).
Mas Deus manifesta mais o Seu amor, quando eleva o homem do seu estado de simples criatura ao estado de Seu filho: “Vede com que amor nos amou o Pai, ao querer que fossemos chamados filhos de Deus. E, de fato, somo-lo” (1Jo 3,1). Não se trata, pois, de um título honorífico ou simbólico, de “uma maneira de falar”, mas de uma realidade sublime, de uma nova “maneira de ser”, por meio da qual o homem é profundamente transformado e feito participante da natureza e da vida de Deus, isto é, do ser de Deus que é amor.
O homem entra assim, a fazer parte da família de Deus: é amado por Deus, seu Pai, e é, por sua vez, capaz de amá-Lo como filho, porque Deus infundiu nele o Seu amor. “Vós não recebestes um espírito de escravidão – exclama S. Paulo - recebestes, pelo contrário, um espírito de adoção, pelo qual chamamos: Abba, Pai. O próprio Espírito atesta em união com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rom 8, 15-16).
O filho não pode ter uma natureza diferente da do Pai: Deus é amor, por isso infundiu no homem o Seu amor, para que também ele seja amor. “Deus revelou a forma – infalível, perfeita e definitiva – como quer ser conhecido” (Paulo VI, Eclesiam suam), isto é, com amor que é o nosso mandamento supremo.
“Deus é caridade e quem permanece na caridade, permanece em Deus e Deus nele” (1Jo 4,16). Ora Deus difundiu a Sua caridade nos nossos corações, por meio do Espírito Santo que nos foi dado. Sendo assim, o primeiro e mais necessário dom é a caridade com que amamos Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor d’Ele.
A virtude da caridade é a participação criada no amor infinito, por meio do qual Deus Se ama a Si mesmo, ou seja, participação do amor com que o Pai ama o Filho, e o Filho ama o Pai e ambos Se amam no Espírito Santo. Pela caridade, o cristão é chamado a “permanecer em Deus” (1Jo 4,16) e a entrar no círculo do amor eterno que une entre Si as três Pessoas da Santíssima Trindade.
Se a Fé, ao tornar o homem participante do conhecimento que Deus tem de Si próprio, o introduz na intimidade da vida divina, a esperança garante-lhe que partilhará um dia da felicidade eterna. Mas, a caridade vai mais longe, porque o enxerta já nesta vida, no inefável movimento de amor que é a vida da Santíssima Trindade. Por meio da caridade, o cristão mora em Deus, a ponto de ficar associado ao amor do Pai para com o Filho e do Filho para com o Pai, amando o Pai e o Filho no Espírito Santo.
E, como o amor divino não fica encerrado no seio da Trindade, mas derrama-se d’Ela sobre todos os homens, também a caridade imprime um impulso semelhante ao cristão, abrindo o seu coração ao amor de todos os irmãos. Somente por meio da caridade, que o faz participante do amor de Deus, é que o cristão se torna capaz de “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus”.
A caridade só é completa quando sobe a Deus, abrangendo por Ele e n’Ele todas as criaturas. Em Deus o amor é um só: na Sua vida íntima e nas suas relações com os homens, no cristão a caridade é única e indivisível: no seu relacionamento para com Deus e no seu impulso para com os irmãos. “D’Ele temos este Mandamento: Quem ama a Deus, ama também o seu irmão” (1Jo 4,21).
Pe. Gabriel de S. Maria Madalena, O.C.D.
in:Intimidade Divina - Meditações, Ed.Carmelo
terça-feira, 9 de junho de 2009
Deus é Amor

“Deus é amor” (1Jo 4,16), amor eterno, infinito e substancial. Como tudo o que há em Deus é belo, bom, perfeito e santo, assim tudo o que há em Deus é amor: a Sua formosura, a Sua santidade, a Sua sabedoria, a Sua verdade, a Sua onipotência e até a Sua justiça são amor. O amor em Deus é um ato externo da Sua vontade, ato perfeitíssimo e santo, porque está sempre dirigido ao bem supremo; este é o amor com que Deus se ama a Si mesmo, porque Ele é o único Bem, sumo e eterno, ao qual nenhum outro bem pode ser preferido.
O amor santo e infinito que Deus se tem a si mesmo, nada tem a ver com o egoísmo do homem, pelo qual se ama com afeto desordenado, a ponto de se preferir a Deus. O homem é egoísta porque tende a amar-se a si mesmo, excluindo qualquer outro afeto; Deus, porém, está de tal maneira isento de toda a sombra de egoísmo que, embora amando-Se infinitamente e estando totalmente enamorado da Sua bondade infinita, quer difundir também o Seu amor e a Sua bondade.
É assim que Deus ama as criaturas; o Seu amor está na raiz de cada uma delas porque, ao amá-las, chama-as à existência e cria nelas o bem. “O amor de Deus – diz S.Tomás – infunde e cria a bondade nas coisas” (S.T.1,20,2). Deus ama com um amor totalmente gratuito, livre e sumamente puro, com um amor que é simultaneamente, benevolência, porque quer o bem da criatura e beneficência, porque opera esse bem.
Deus ao amar o homem, dá-lhe vida, infunde-lhe a graça, convida-o à santidade, atrai-o a Si e torna-o participante da Sua felicidade eterna. Tudo o que somos e temos é Dom do Seu amor imenso. O homem, afirma o Concílio Vaticano II “se existe, é só porque, criado por Deus por amor, é por Ele por amor constantemente conservado; nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e se entregar ao seu Criador” (Gaudium et Spes, 19).
“Amo-te com amor eterno; e por isso te outorguei os Meus favores” (Jer 31,3). O homem ainda não existia e já Deus, que o via, o amava e o queria. O Seu amor adiantou-se a Ele desde a eternidade. Nenhuma criatura poderia existir se Deus não a tivesse precedido com o Seu amor. “Vós amais tudo o que existe e não aborreceis nada do que fizestes, porque se odiásseis alguma coisa, não a teríeis criado.
Como poderia subsistir uma coisa, se Vós não o quisésseis, ou, como se conservaria sem ordem Vossa?” (Sab 11,24-25). A história do homem é a história do amor de Deus para com ele. História que, uma vez iniciada, não mais termina, porque o amor de Deus não tem fim, somente o pecado, por ser rejeição do amor de Deus, tem a triste possibilidade de a interromper.
Mas, de per si, Deus ama com um amor infinito, eterno, imutável e fidelíssimo. Ele próprio o quis declarar com as mais ternas expressões: “Acaso pode uma mulher esquecer-se do menino que amamenta, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria” (Is 49,15).
Deus ama o homem quando o consola, mas ama-o também quando o prova com a dor: as Suas graças e consolações são amor, mas não são menos os Seus castigos e provações, “porque o Senhor castiga aquele a quem ama e aflige o filho a quem muito estima” (Prov 3,12).
Em qualquer circunstância, por mais triste e dolorosa que seja, o homem está constantemente cercado pelo amor divino, que é sempre desejo do bem e, por isso, quer infalivelmente o seu bem, mesmo quando o conduz pelo áspero e duro caminho do sofrimento. (...) Assim são estes os Seus dons neste mundo. Dá conforme o amor que nos tem: aos que mais ama, dá mais destes dons, àqueles que menos ama, dá menos “(Caminho de perfeição, 32,7). O verdadeiro cristão, mesmo que a dor o desfaça, não vacila na Fé, mas repete:” Nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem “(1 Jo 4,16)”.
Pe. Gabriel de S. Maria Madalena, O.C.D.
in:Intimidade Divina - Meditações, Ed.Carmelo
